O neoliberalismo no Brasil e a posição dos partidos políticos diante do imperialismo e do movimento operário

O chamado “neoliberalismo”, que chegou com força em nosso país nos anos 90, e que segue vigente até os dias de hoje, apenas reforçou o caráter semicolonial da sociedade brasileira. O “neoliberalismo” é a ofensiva geral do imperialismo contra os povos do mundo, em especial o das nações dependentes, e a sua aplicação nos países do chamado terceiro mundo apenas aprofundou o domínio neocolonial do imperialismo. A aplicação do neoliberalismo também produziu resultados nefastos em muitos países europeus, incluindo países imperialistas, penalizando sua classe operária e demais setores das massas populares. Ainda assim, é importante lembrarmos que o chamado “neoliberalismo” não representa o “fim do estado” como apregoam certos ideólogos burgueses e até pretensos marxistas. As classes dominantes sabem que não podem prescindir de seu Estado para reproduzir seus valores e seu poder. O Estado é um órgão de dominação de classe, que segue existindo enquanto houver sociedades divididas em classes sociais. Até mesmo as privatizações realizadas no Brasil na década de 90 foram impulsionadas pelo velho Estado, com ampla ajuda e financiamento do BNDES. A essência do “neoliberalismo” consiste, portanto, na retirada e destruição completa dos direitos mínimos adquiridos pelas massas populares ao longo do século XX e uma ofensiva do imperialismo sob as economias já débeis dos países de terceiro mundo. Uma parcela da chamada “esquerda” brasileira acredita que é possível destruir o que chamam de neoliberalismo por meio da formação de um governo de tipo “pós-neoliberal” que recuperaria a capacidade de investimento e planejamento do Estado, colocando-o a serviço de um “projeto nacional desenvolvimentista” com “democracia” e “distribuição de renda”. As forças políticas que defendem tais teses oportunistas (PT, PC do B, PSOL, PDT) estão, em maior ou menor medida, todas elas comprometidas com a manutenção e defesa do velho Estado. Representam objetivamente setores da pequena e média burguesia nacional, que apesar de possuírem certas contradições com o imperialismo, não estão dispostas a levar até o fim a luta consequente contra ele, tendendo a capitular diante da reação. No campo da direita burguesa encontra-se partidos apodrecidos como PSDB, Democratas e PMDB, com apoio da velha imprensa (Abril, Globo). Não raro, como forma de se opor às políticas do PT e outros partidos de esquerda da pequena e média burguesia, esses partidos recorrem ao fascismo aberto, vendendo para o povo a ideia de que o PT é um “partido de comunistas” e que a ordem e os valores da “família brasileira” encontram-se ameaçadas pela corrupção e pelo “radicalismo” de “baderneiros” liderados pelo petismo. Utilizam os seus holofotes midiáticos para jogar todo o conjunto dos movimentos populares no colo do petismo, ao mesmo tempo em que tentam desmoraliza-los perante as massas. Esses partidos direitistas representam as classes mais reacionárias. São os partidos dos grandes capitalistas, latifundiários, militares entreguistas e demais elementos diretamente atrelados ao imperialismo. Estimularam e apoiaram de modo entusiasta o golpe de Estado ocorrido no país.