Toda solidariedade aos lavradores de Taquaruçu do Norte! Abaixo a corja latifundiária!

22.04.2017

Os campos brasileiros testemunharam na manhã do dia 20 de abril de 2017 a segunda versão do Massacre de Eldorado dos Carajás, exatamente vinte e um anos após ocorrer a primeira versão, quando assassinos da Polícia Militar paraense executaram aproximadamente vinte lavradores sem-terra, feriram e torturaram outras centenas. O Massacre de Colniza é a segunda versão de Eldorado dos Carajás, e se dá em uma época de intensificação do problema agrário no país.

 

Grupos paramilitares bancados por fazendeiros e grileiros locais invadiram o assentamento Taquaruçu do Norte, localizado na zona rural do município de Colniza, no estado do Mato Grosso, e abriram fogo de forma indiscriminada contra os camponeses, inclusive contra crianças e idosos, deixando até agora um saldo de ao menos dez mortos, bem como desaparecidos e feridos, embora ainda não tenham sido divulgados ainda o número de feridos ou desaparecidos. Dado que há mais de uma década os camponeses do assentamento eram vítimas de assassinatos, grilagem, torturas e todo tipo de ameaças e intimidações – e que todos estes fatos são públicos –, o Estado brasileiro, junto aos senhores de terras, é o grande responsável pelo assassinato destas dezenas de pessoas.

 

O caráter semicolonial e semifeudal da sociedade brasileira, a grande dependência de sua economia sobre a exportação de matérias-primas e produtos agrícolas, em parte explica as razões da intensificação do terror branco contrarrevolucionário nos campos brasileiro durante o último biênio de 2015-2016, período no qual mais de 120 lideranças e militantes do movimento popular rural foram assassinadas. A partir do ano de 2014, a economia brasileira mergulhou numa profunda recessão, as cotações dos principais produtos exportados pelo Brasil – minério de ferro, petróleo, soja, açúcar, café e carnes – despencaram no mercado internacional, razão pela qual o país foi obrigado a impulsionar de forma desesperada a extração e produção destes recursos naturais e produtos agrícolas para buscar manter ao menos minimamente a importação dos produtos que tradicionalmente compra do exterior – trigo e demais alimentos, combustíveis derivados de petróleo, química fina de remédios, maquinários e equipamentos industriais, componentes industriais para montagem, etc. O resultado não poderia ser outro senão o aumento da “fome por terras” por parte dos latifundiários e empresas mineradoras para impulsionar a produção de soja, minérios, cana de açúcar, que levou à intensificação da grilagem nas áreas de “fronteira agrícola” – localizados principalmente no norte do Mato Grosso e na região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia) – e, consequentemente, à explosão da violência contra povoados e aldeias camponesas, comunidades indígenas, quilombolas e de pescadores. Milhões e milhões de toneladas dos produtos que o Brasil exporta tradicionalmente estão sendo pilhados de graça pelos grandes monopólios comerciais estrangeiros pelo método da redução dos preços destes no mercado internacional. As principais vítimas não poderiam ser senão os camponeses e povos originários, bem como a classe operária e os semiproletários das cidades. A classe latifundiária tem se aproveitado da crise econômica e de escândalos políticos – como a recente “Operação Carne Fraca” – para literalmente vender o Brasil para os estrangeiros, como por meio da pressão sobre o governo fantoche de Temer para a aprovação de uma “Medida Provisória” que permite que empresas e indivíduos estrangeiros comprem até 100 mil hectares de terras e possam arrendar outros 100 mil hectares, medida que sem sombra de dúvidas levaria à perda da soberania nacional sobre a maior parte de seu território, com os brasileiros sendo transformados em estrangeiros dentro de seus próprios lares. A aprovação da venda de terras para estrangeiros – que já acontece de forma generalizada em nosso país, com estrangeiros se utilizando de laranjas para comprarem terras e utilizá-las para a produção de matérias-primas –, além de levar à perda da soberania nacional, intensificaria ainda mais a violência sobre o campesinato e os povos originários, com estes tendo agora de travar uma luta direta contra os imperialistas norte-americanos e de outros países.

 

O caso do massacre dos camponeses de Taquaruçu do Norte não é um caso isolado em nosso país. A violência reacionária contra as populações rurais tenderá a se intensificar nos próximos anos e é de grande necessidade que as organizações, sindicatos e partidos democráticos e progressistas, incluindo os que se reivindicam comunistas ou socialistas, intensifiquem seus esforços para se ligarem de forma ainda mais estreita aos movimentos de camponeses, trabalhadores rurais e indígenas, assentando e construindo a aliança operário-camponesa como núcleo da Revolução democrática brasileira. É necessário também que todos os partidos, grupos, organizações e movimentos progressistas se esforcem para dar repercussão internacional ao Massacre de Colniza, estimulando suas organizações amigas no estrangeiro a se solidarizarem com os camponeses de Taquaruçu do Norte, exigirem justiça para as vítimas e a punição dos assassinos e mandantes, e se solidarizarem com a luta das massas trabalhadoras brasileiras pelas reivindicações democráticas e nacionais como a reforma agrária.

 

Todos os dirigentes e militantes da União Reconstrução Comunista estendem seus mais sinceros votos de solidariedade aos camponeses do assentamento Taquaruçu do Norte, e a todos os camponeses, assalariados rurais e povos originários em luta e que atualmente são vítimas da violência e exploração da classe latifundiária. A luta do povo será sem sombra de dúvidas vitoriosa!

 

Solidariedade aos camponeses do assentamento Taquaruçu do Norte! Pela prisão e punição dos assassinos e mandantes!

Solidariedade a todas as famílias das vítimas dos massacres no campo!

Abaixo os intentos vende-pátria da classe latifundiária e de todos os reacionários capachos do imperialismo!

Abaixo o regime entreguista de Michel Temer e toda sua corja!

Viva à luta pela construção e solidificação da aliança operário-camponesa!

 

 

UNIÃO RECONSTRUÇÃO COMUNISTA

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